sexta-feira, 2 de março de 2012

Madame Tutli Putli




        
         Depois de uns meses ausente (férias, né? Férias são férias.), volto aqui a este espaço, desta vez com uma das mais maravilhosas obras de stop-motion que alguma vez vi- Madame Tutli Putli. (Eu sei, eu digo sempre que é o melhor stop-motion que alguma vez vi. <riso>)

        O curta (de 2007) foi produzido pela NFB (National Film Board Of Canada- que viu dois dos seus curtas nomeados para o Óscar deste ano, Dimanche e Wild Life) e teve como diretores Chris Lavis e Maciek Szczerbowski. Venceu vários prêmios, tais como o "best of the festival" no Melbourne Internacional Animation Festival, melhor filme de animação no Worlwide Short Film Festival de Toronto, foi nomeado para o Óscar de 2008 (perdeu para Pedro e o Lobo) e ainda foi incluído no Animation Show of The Shows, entre outras distinções.

        O filme é todo ele (17 minutos) de extrema beleza e requinte. Os cenários meio cinzentos, meio mórbidos, dão um toque meio que introspetivo ao curta, onde a madame Tutli Putli (fazendo lembrar a querida Amélie Poulain) se deixa envolver e parece tomada, primeiro de estranheza e incômodo com os demais passageiros, depois de um horror quase sem sentido e inexplicável, que a leva no final a uma espécie de transformação.

        Podendo discutir-se bastante a significação do curta (vi muitos comentários no youtube nesse sentido), eu opto pela ideia de que o que melhor se pode perceber na película é a ideia de transformação, mudança de lugares, de vida... Primeiro a vemos carregada de bagagem e depois assaltada por esse temor e estranheza muito próprios de viagens definitivas. Não, não considero que tal represente a morte, tampouco a existência daqueles outros passageiros. Considero a transformação, a mudança, o desapego do passado e o temor do que sucederá daí em diante o sentido pretendido pelos autores. Bem conseguido, em meu entender.

        A personagem principal, madame Tutli Putli, é de tal forma expressiva que custa a acreditar tratar-se de uma boneca. O maior realismo, a que ninguém fica indiferente, é o do olhar da mesma. Tudo isso porque os diretores, com o objetivo de lhe darem uma maior expressividade, lhe sobrepõem durante toda a película olhos humanos, nos seus diferentes movimentos e nuances. Mas os gestos, todos os outros movimentos não estão pior produzidos. 



        Em suma, a animação é excelente e merece, sem dúvida, estar entre o "animation show of the shows".   




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